sábado, 31 de maio de 2014

Que fique este jeito


Cara coroa. Faz tudo em uma boa.
Dardos, estribos. Manifesta ser à toa.
Moinho de vento, poema em um lamento.
As marcas de vida. Não mexa na ferida.
Passagem, viagem, corrida e estrada.
Desejo, fissura, carinho encantado.
As marcas do tempo, sumiço.
Candeias e sinos, meninos.
Pensamentos soltos.
Quantos olhares loucos
Sem sofrimento ou dor,
Sem amor, sem clamor.
Cantigas calientes e versos proeminentes.
Que fique este jeito
Assim livre e satisfeito.
Que fique este jeito!


Texto de Teresa Azevedo, cuja obra encontra-se à venda no site www.clubedeautores.com.br



Pintura de Vincent Willem van Gogh -  pintor pós-impressionista neerlandês, frequentemente considerado um dos maiores de todos os tempos e conhecido por seus fracassos segundo a sociedade e tempo em que viveu.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Domadora de mim


Em uma noite qualquer, na estação dos encontros, no tempo da contemplação,  um perceber e uma chegada. A irresistível fala ha tanto contida: "Domadora de mim"

Domadora de mim.
Curvas sinuosas,
Perigo constante.
Mistério sob a saia,
Suas ancas dançantes.
Levam-me a loucura.
Mulher de delícias.
No colo, a malícia.
Com os olhos enfeitiça.
Nos lábios, um sorriso.
Em minha cama me dome
Sou seu homem!
Assim, assim...

Texto de Teresa Azevedo cuja obra está a venda no www.clubedeautores.com.br

Pintura de Gustav Klimt - pintor simbolista austríaco. Em 1876 estudou desenho ornamental na Escola de Artes Decorativas.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Sonhei, tão somente sonhei



Sonhei, tão somente sonhei!


Esta noite sonhei com você, lindo como sempre, vivo como
nunca.
No sonho você voltava convicto e sem medo.
Eu, naturalmente, permanecia de braços abertos para lhe
abraçar,
Mas você não tinha mais nome, não tinha mais voz,
Via-me como eu sempre lhe pedi, tinha-me como sempre me
doei.
Meigo, pleno, repleto de vigor.
Acordei! E então me pus a chorar, virei-me e adormeci.
Sonhei, só sonhei...

Poesia de Teresa Azevedo, extraída do livro “Você: meu porto seguro”  que pode ser adquirido no site www.clubedeautores.com.br

Frederic Leighton, 1.º Barão Leighton, foi um pintor e escultor da Inglaterra

Singular plural





Você singular/plural de modos e jeitos.
Singular, único sem o qual não há,
Plural por ser completo e pleno em efeitos.
Simplesmente você!

Como a música suave e harmônica,
Uma delícia em tranquilidade.
Um cântico de atitudes precisas.
A vitalidade na medida certa.

Um despertar para a vida.

Poesia de Teresa Azevedo, cuja obra pode ser adquirida no site www.clubedeautores.com.br

Pinturas de:
·         Frank Xavier Leyendecker – famoso lustrador americano

·         Juan Gris, pseudónimo de Juan José Victoriano González, foi um dos mais famosos e versáteis pintores e escultores cubistas espanhóis. 

terça-feira, 27 de maio de 2014

Mundo paralelo


Mundo paralelo


Brilha o sol a pico.
Um gélido frio de final-de-outono.
Ele, à ausência de sua diva,
fada madrinha, escrava ou gueixa.
Delíra amplexos selvagens.
Enjeitado, arruinado e medíocre
Agarra-se a perfídia e heis que
outra, não a sua, chama-lhe a atenção.
Excitado meneia a cabeça convidando-a.
Mostra-lhe o dote e a toma em plena rua.
De súbito se assusta o néscio...
Aguarda ainda a transmutação daquela mulher
Em sua amada, qual nada...
Sobrepujado em seu mundo paralelo olha a estrada
E a vê longe, longe, inalcansável...
Num requebrar de ancas alucinante...
A ele só a dor, a desilusão cravada...
.
Texto de Teresa Azevedo, inspirado no conto d autora “A diva e o néscio”
Pintura de Egon Schiele pintor austríaco ligado ao movimento expressionista. 

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Mumifica a dor que me espanca




Mumifica a dor que me espanca

Mas a distância aumenta e
Cala meus gritos ao vento,
Leva de mim os pensamentos,
Mumifica a dor que me espanca.


Fragmento de poesia de Teresa Azevedo, cuja obra pode ser adquirida no site www.clubedeautores.com.br


Tela de Oscar-Claude Monet - pintor francês e o mais célebre entre os pintores impressionistas.

Poeta é gente diferente


Poeta é gente diferente

Poeta é gente diferente
Que pode assustar
Incomodar
De tanto amor que sente.

Fragmento de poesia de Teresa Azevedo, cuja obra pode ser adquirida no site www.clubedeautores.com.br

Alfons Maria Mucha foi um ilustrador e designer gráfico checo e um dos principais expoentes do movimento Art Nouveau

Quimera minha




Longe de meu corpo,
perto dos meus sonhos.
Quimera minha,
detalhes de nós.

Fragmento de poesia de Teresa Azevedo, cuja obra pode ser adquirida no site www.clubedeautores.com.br

Tela do pintor e desenhista francês Jean-Auguste Dominique Ingres que atuou na passagem do Neoclassicismo para o Romantismo.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

A quantos cantos quis ir e não fui


A quantos cantos quis ir e não fui.

Oh! Afagos que não conquistei,
vazios de mim que sonhei.
Desencontros da vida, eu sei

Fragmento de poesia de Teresa Azevedo

Tela de Oscar-Claude Monet, pintor francês e o mais célebre entre os pintores impressionistas.

domingo, 18 de maio de 2014

Alma dos apaixonados






A inexatidão dos sentidos
Devora a alma do apaixonado.
Num preâmbulo de inquietude
Desabam-se suas emoções.
O olhar para o além,
Inerte e incandescente, se faz.
A visão do que é impossível de
Se enxergar lhe é companhia.
Ele se rebela e exaspera contra tudo
E contra todos que o contestam.
Afinal, quem pode sentir como ele
Tal intensidade de sentimentos?
Quem mais além dele pode vislumbrar
A beleza que lhe é tão plena?
Como pode alguém dizer “não”
A algo tão grandioso e inusitado?
Submerso está o raciocínio lógico
Nos oceanos de afeição devota.
Um mundo paralelo passa a existir
E ele é o único que importa.
Cujas cores são tão vivas, os ares refrescantes,
Os caminhos são algodoados e róseos.
Pode-se nele ouvir o som dos anjos.
E no centro de tal mundo existe um soberano:
A pessoa amada.
Seus olhos são iluminados como os raios de sol
Que refletem o sereno nas relvas,
Seu corpo é convidativo de ser visto, é como um arco-íris.
E capaz de aquecer como o sol
E envolver como as peles felinas.
Abraço bendito é o de tal ser!
Lábios de deliciosa textura e sabor.
Suas palavras são as mais meigas e aprazíveis,
Só o vento negro dos desalmados
Quebra de gelo tal esplendor.


Texto de Teresa Azevedo extraído do livro “Faíscas da paixão” que pode ser adquirido no site www.clubedeautores.com.br


Ilustração de Frank Xavier Leyendecker – ilustrador americano que viveu de January 19, 1876 – April 18, 1924

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Vem ser somente meu



A cada partida leva consigo minha melhor parte.
Mas, se me leva, rouba-me de mim
E então não pode ir sem que volte.
Pois, ao deixar-me sozinha de mim, sofro.
Afinal, o que resta só pode pensar em você
Se neste corpo que fica suas mãos se tatuaram
E os meus olhos o seu rosto ainda vêem.
A minha boca ainda sente o calor dos seus beijos
Assim como seus abraços ainda me circundam.
O seu sorriso me falta.
Seu humor não pode me fazer rir agora,
Só um nó que me aperta o peito resta.
Devolva-me a mim.
Vem ser somente meu...


Texto extraído do livro “Faíscas da Paixão” que pode ser adquirido no site www.clubedeautores.com.br


Tela do foi um pintor britânico Edmund Blair Leighton associado ao Romantismo e a Irmandade Pré-Rafaelita.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Sua cantiga alguém cantou



Sua cantiga alguém cantou

Passa o primeiro ano,
passa o segundo ano,
Passa o terceiro ano,
E passa outro e mais outra vez.
Mas vai-se longe o que será
Sua procura interior o alcançará.
Viva os dias, corra, anseie
Lembre-se dos sonhos.
Desperte, oh, Maria!
Corra pelas colinas,
Olhe nos montes.
Perca os olhares por sobre a cidade.
Busque no âmago sua alegria
E na sua pele sinta algo que não a orgia.
Corra, ande, durma e pense.
Mas não deixe jamais de sonhar
Pois é aí que mora seu amor.
Tenha certeza ele virá.
E, quando já cansada de aguardar, adormecer...
Vai vê-lo a esperar bem paciente,
Vai tê-lo a lhe amar bem consciente.
Não tema, vai sem medo,
Sua hora chegou
Seu desejo se realizou.
Sua cantiga alguém cantou.

Texto de Teresa Azevedo, extraído do livro “Faíscas da Paixão”, readaptado para publicação em 2014.

Tela de John William Godward, pintor inglês do final do período Pré-rafaelita.

Sou avesso, inverso

Vem ser somente meu



A cada partida leva consigo minha melhor parte.
Mas, se me leva, rouba-me de mim
E então não pode ir sem que volte.
Pois, ao deixar-me sozinha de mim, sofro.
Afinal, o que resta só pode pensar em você
Se neste corpo que fica suas mãos se tatuaram
E os meus olhos o seu rosto ainda vêem.
A minha boca ainda sente o calor dos seus beijos
Assim como seus abraços ainda me circundam.
O seu sorriso me falta.
Seu humor não pode me fazer rir agora,
Só um nó que me aperta o peito resta.
Devolva-me a mim.
Vem ser somente meu...


Texto extraído do livro “Faíscas da Paixão” que pode ser adquirido no site www.clubedeautores.com.br


Tela do foi um pintor britânico Edmund Blair Leighton associado ao Romantismo e a Irmandade Pré-Rafaelita.

quarta-feira, 14 de maio de 2014



Onde estão nossos pares?
Por que mares eles navegam?
Serão eles de carne como nós
Ou apenas criação de nossas mentes?

Onde estão nossos pares?
Se por toda nossa vida os tentamos ver em tantos rostos,
E até pensamos os ter achado, mas não.
São meros opostos de nós.

Onde estão nossos pares?
Em toda a criação tem que haver outros como nós,
Mas onde estarão eles?
Sendo como nós, talvez também nos procurem como nós a eles.

Onde estão nossos pares?
Eu não sei. Mas de uma coisa tenho certeza.
Até o último de meus dias vou tentar encontrar,
E só não seremos nós se você não existir...


Texto de Teresa Azevedo – extraído do livro “Faíscas da Paixão” que pode ser aquirido no site www.clubedeautores.com.br



Tela do Pintor Sir Francis Bernard Dicksee KCVO - pintor e ilustrador inglês da Era Vitoriana, mais conhecido por suas obras que retratam momentos dramáticos da história e cenas lendárias

Vão-se os amores, mas nem tanto assim



Vão-se os amores, mas nem tanto assim.
Ficam as lembranças e deixam deles pedaços em mim.
Permanecem os contatos e as saudades,
As boas memórias de dias vividos.

Vão-se os amores, mas nem tanto assim.
Ficam alguns cheiros preservados, como o do cachecol enrolado.
Permanecem os flashes de olhares e sorrisos,
As boas memórias das mãos entrelaçadas.

Vão-se os amores, mas nem tanto assim.
Fica, no gelo dos lençóis de hoje, a lembrança do calor de outrora.
Permanecem guardados os e-mails e cartões,
As boas memórias do anelar das paixões.

Vão-se os amores, mas nem tanto assim.
Ficam seus nomes, suas vozes.
Permanecem no armário os vestidos de noite,
As boas memórias do rodopiar nos salões.

Vão-se os amores, mas nem tanto assim.
Ficam sós, ou mesmo acompanhados.
Permanecem no tempo dos dias vividos,
As boas memórias jamais nos deixarão.

Vão-se os amores, mas nem tanto assim.
Ficam esquecidas as brigas, as rusgas.
Permanecem distantes os dias ruins.
As boas memórias são as únicas que mantenho em mim.


Texto de Teresa Azevedo

Pintura do pintor espanhol Ramon Casas i Carbó (Movimento Modernista)


Caos declarado


Caos declarado

Retumbam os tambores, impetuosos e ressonantes.
Pela farra, em guerra, amaciam as peles dos batuques.
Projeções côncavas se espalham no ar, negras e obtusas.
Encarnados Romeus e Julietas neomodernistas,
Que gemem em seus coitos e sucumbem ao som dos alaúdes.
Soam as trombetas e os serafins anunciam:
As juras de nada mais valem, não há espaço ou tempo.
Cristalizam-se os homens em estátuas de grosso sal.
Inerte, a natureza é condensada em chamas
E se derrama em mar de estrelas flamejantes.
É o fim! Apieda-se de nós, oh Deus!

Texto de Teresa Azevedo - extraído do livro "Faíscas da Paixão" que pode ser adquirido no site www.clubedeautores.com.br


Tela do pintor francês Alexandre Cabanel, representante do Neoclassicismo Acadêmico. Dedicou-se a assuntos históricos, mitológicos e religiosos. Foi também autor de retratos, paisagens e composições decorativas. Excelente aquarelista

terça-feira, 6 de maio de 2014

Sou sua prenda




Sou sua prenda

Peculiar e discreto seu destino,
Perdido e louco, venha meu menino.
Pare de fingir-se em adeus,
Pegue minha mão mais uma vez.

Sou sua prenda!
Meia de renda,
Souvenires na mala
Comprados a cada escala.

Viagem ao mundo do amor
Sem nenhum medo, nem pavor.
Na camisa a marca do beijo.

Na chegada o fogo incandescente
De desejos guardados, fisgados.
Na partida um choro sufocado.

Texto de Teresa Azevedo

Pintura de Giovanni Boldini

Já é tarde


Já é tarde


Basta-me o passar das horas.
Ficam as badaladas idas,
Horas extraídas do tempo.
Inclinações desmanteladas.
Já é tarde... O que fazer?



O trem passou e eu aqui.
A menina cresceu – e eu?
O velho morreu, chorei.
As forças são fracas. E aí?


Um espelho quebrado.
São as rugas,
Uma mão que estremece.

Já é tarde. E daí?


Texto de Teresa Azevedo


Pintura de Eugenio ZampighiI

"Eu"




“Eu”

Fragmentada, imprevisível,
Inconstante, preguiçosa,
Eufórica, depressiva,
Indefinida, nítida,
Aqui para ser descoberta.
Oculta em medos por proteção.
Cantada, dançada, falida, cansada.
Em algum tempo: linear, fora de mim eu sei...
No espaço longínquo, quase inacessível.

Texto de Teresa Azevedo

Pintura de Júlio Romero de Torres

Eu voador sem destino





Fugindo para o mato


domingo, 4 de maio de 2014

Depoimento da poeta, escritora e acadêmica da ANLPPB


Agradeço também aos confrades e poetas que já abraçaram esta causa, participando dos trabalhos ou doando livros para montagem nas bibliotecas de cada local onde o trabalho for feito, a saber: Dalva Saudo, Wagner Félix, Lu Narbot, Adriane Lima, Marilene Teubner, Liz Ravbelo.
Dando continuidade ao sonho do Dr Alcy Gigliotti (in memoriam), na pessoa de sua filha Luciana Gigliotti, de quem recebemos uma grande quantidade livros e material para desenvolver os trabalhos em todas as frentes de trabalho - casas de repouso, orfanatos, prisões, casas de saúde mental, moradores de rua, favelas e outras.
Espero honrar a toda credibilidade que me foi dada. Teresa Azevedo
LINDO LIVRO... MUITO CRIATIVO!
Amei a capa, reformatada de uma tela de nossa amiga em comum: Acadêmica Dalva Saudo Arte Naif... E a possibilidade da interação com o leitor! ONDULAÇÕES, de Teresa Azevedo, Editora Independente, Clube de Autores e AG Book, 2013.
ÁGUA, ESSÊNCIA DA VIDA!
(...)
"Começa em mim o não ao desperdício.
Faz, peço, o antever da desgraça determo-nos.
Essência!
Água que jorra em terra fértil
Jorre em mananciais de plenitude.
Toque-nos a todos oh! Indispoensável fluxo da vida.
(...)
Teresa Azevedo, (página 65)
MINHAS LINHAS PROVOCADAS
SEQUEI
Sedenta fiquei
triste arrebentei fileiras
erosões profundas
em terra ardente
Status de morte!
Eis que de súbito
uma corrente de ar,
mais fria,
ventos uivando,
derreto-me
pelas vertentes de erosão
do morro seco
e me lanço em ondas de choque
com águas que se precipitam rio abaixo,
transformo o nada do deserto
em terra verde!
Sou o sangue da Terra!

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Um marco




Um marco


Cais do porto.
Cheiro de peixe.
Noite tão próxima.
Frio na espinha.
E o navio chega.
Um dia, um marco.
O término de uma fase,
Para outra viver..

Texto de Teresa Azevedo
Pintura de Alexandre Cabanal

Companheiro distante



Companheiro, amigo,
Presente, participativo,
Articulado, risonho,
Conversador, inteligente,
Fez-me segura me deu seu ombro.
Pegou minha mão e caminhou comigo.
Sorrimos juntos, sonhamos, planejamos,
Mas o destino não nos quis juntos.
Mesmo que findos os dias o amei.
E ainda o amo por mais que o esconda de mim...

Texto de Teresa Azevedo
Pintura de Dalva Saudo

Egoísmo



EGOÍSMO


Não o vejo, nem sinto.
Casca de mim...
Eu e eu!!!

Texto de Teresa Azevedo Extraído do livro “Poesia com Brany que pode ser adquirido no site www.clubedeautores.com.br

Pintura de Charles Courtney Curran